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Curso inédito na Bahia prepara produtores para certificação internacional e fortalece os cafés especiais

Trilha de formação promovida pelo Sebrae reuniu participantes do Planalto da Conquista e da Chapada Diamantina em uma imersão sensorial que antecede a certificação internacional Q Grader
Por Nayla Gusmão para ML Comunicação
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Durante quatro dias, produtores, torrefadores e profissionais do café trocaram o campo pela mesa de provas. Na Fazenda Reserva do Vale, em Vitória da Conquista. Aroma, acidez, doçura, corpo e equilíbrio passaram a ser avaliados com a mesma metodologia utilizada pelos maiores especialistas em cafés especiais do mundo. Mais do que uma capacitação, a última semana marcou um passo inédito para a cafeicultura baiana.

Entre os dias 21 e 24 de julho, o Sebrae promoveu a primeira formação Pré-Q Grader realizada na Bahia, uma preparação para a certificação internacional Q Grader, considerada a principal credencial para especialistas em análise sensorial e classificação de cafés especiais. O curso foi fruto da integração entre os projetos Cafés Especiais do Planalto da Conquista, da Regional Sebrae Vitória da Conquista, e Cafés Especiais da Chapada Diamantina, da Regional Sebrae Irecê.

A formação foi construída em etapas. Antes da imersão, o Sebrae realizou quatro cursos de introdução aos cafés especiais na Chapada Diamantina e dois no Planalto da Conquista. Ao final dessa primeira fase, 12 participantes das duas regiões compareceram para a formação avançada, realizada em Vitória da Conquista.

O treinamento funciona como uma preparação para a certificação Q-Grader, reconhecimento internacional concedido a profissionais capacitados para avaliar e classificar cafés especiais a partir de padrões globais, por meio de testes rigorosos de análise sensorial, identificação de defeitos dos grãos e percepção olfativa. Após essa etapa, os participantes que se sentirem aptos poderão ocupar uma das 12 vagas que serão oferecidas pelo Sebrae, em novembro, para tentarem a certificação oficial.

Para a gestora do projeto Cafés Especiais do Planalto da Conquista, Mônica Rizério, trazer essa formação para a Bahia representa uma mudança importante para toda a cadeia produtiva. “A gente percebeu que muitos produtores ainda não conheciam plenamente o próprio café. Saber identificar a qualidade, compreender o perfil sensorial e reconhecer o valor do produto é fundamental para comercializar melhor. O Pré-Q nasce justamente para preparar esses profissionais para uma certificação internacional que, até então, só era encontrada em grandes centros”.

Segundo ela, além de ampliar o conhecimento técnico, a iniciativa reduz custos e aproxima oportunidades que antes exigiam viagens, hospedagem e longos deslocamentos.

Quem vive essa transformação na prática é o produtor Thiago Moura, de Barra do Choça. Há apenas dois anos na cafeicultura, ele já produz cafés especiais e acredita que o conhecimento adquirido pode mudar a realidade da região. “É uma oportunidade única. Fazer um curso desse nível aqui seria praticamente impossível sem o Sebrae. Além do custo de viajar para grandes centros, esse conhecimento muda a forma como enxergamos o café e ajuda o produtor a reconhecer o verdadeiro valor daquilo que produz”.

A mesma percepção é compartilhada pelo empreendedor do setor de torrefação Lucas Castro, de Rio de Contas, na Chapada Diamantina. Para ele, além da economia financeira, a formação cria uma linguagem comum entre profissionais de diferentes regiões produtoras. “Eu gastaria pelo menos R$ 6 mil a mais para fazer essa formação fora da Bahia. Trazer esse curso para perto democratiza o acesso ao conhecimento e permite que todos trabalhem com a mesma referência de qualidade. Isso fortalece o desenvolvimento das nossas regiões”.

A integração entre produtores da Chapada Diamantina e do Planalto da Conquista também foi um dos diferenciais da iniciativa. Para a gestora do projeto Cafés Especiais da Chapada Diamantina, Andressa Rodrigues, reunir participantes das duas regiões ampliou ainda mais o aprendizado. “Os cursos introdutórios aconteceram separadamente em cada regional, mas percebemos que fazia sentido unir esse grupo na formação Pré-Q. Essa troca de experiências entre diferentes realidades potencializa o aprendizado e fortalece o desenvolvimento dos cafés especiais da Bahia como um todo”.