O empreendedorismo feminino do Extremo Sul da Bahia ganhou mais uma vez o destaque estadual no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026. A empresária Fernanda Lopes Siqueira Gripa, fundadora da Grão Verde Café, de Caravelas, conquistou o primeiro lugar na categoria Negócios Internacionais, reconhecimento que celebra uma trajetória construída com conhecimento técnico, coragem para empreender e compromisso em levar o café brasileiro aos mercados mais exigentes do mundo.

O protagonismo regional não parou por aí. O Extremo Sul também foi representado por Eduarda Brito, da Queijaria Flórida, de Lajedão, segunda colocada na categoria Produtora Rural; Luciana Dantas, da Fazenda Santo Antônio, de Itanhém, terceira colocada na mesma categoria; Nilma Fernanda, da Boneca Rosa, de Porto Seguro, segunda colocada na categoria MEI; e Ludmila Pataxó, da Exna, da Aldeia Jaqueira, também de Porto Seguro, terceira colocada na categoria MEI. O resultado evidencia a diversidade e a força dos pequenos negócios liderados por mulheres na região.
Ao receber o prêmio, a empresária Fernanda Lopes Siqueira Gripa relembrou os desafios enfrentados desde o início da trajetória, quando decidiu apostar no sonho de tornar seu trabalho conhecido e reconhecido. Entre as lembranças, vieram as longas viagens pelas propriedades rurais, os primeiros embarques de café e o apoio da família em cada etapa dessa caminhada. “Passou um turbilhão de lembranças. Desde o primeiro dia em que coloquei minha bota e decidi que queria ser conhecida e reconhecida. Hoje agradeço por cada produtor, por cada estrada percorrida e por nunca ter desistido”, celebrou.
Além de acompanhar as empresárias através do Sebrae Delas, a gestora Thamyris Maciel também prestigiou a entrega da premiação e avaliou o momento. “É uma alegria enorme ver tantas histórias do Extremo Sul sendo reconhecidas. Esse resultado mostra a força, a diversidade e a qualidade dos negócios liderados por mulheres na nossa região. São empreendedoras de diferentes municípios e segmentos, com trajetórias muito próprias, que vêm transformando seus territórios por meio de trabalho, gestão e coragem para crescer. Para nós, é motivo de orgulho acompanhar essas mulheres e contribuir para que mais histórias como essas ganhem visibilidade e cheguem ainda mais longe”, disse.
Além da Fernanda, outras finalistas representaram a regional nesta edição do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, e o resultado reforça o potencial transformador do empreendedorismo feminino no Extremo Sul da Bahia.

Vencedoras
Negócios Internacionais – Fernanda Gripa (Ouro)
Produtora Rural – Eduarda Brito (Prata) e Luciana Dantas (Bronze)
Microempreendedora Individual – Nilma Fernanda (Prata) e Ludmila Pataxó (Bronze)
Finalistas
Mariana Infante
Aline Ferraz
Adriana Silva
Adriana Nunes
Silvana Simão
Grão Verde Café
Filha de agricultores e pecuaristas, Fernanda cresceu aprendendo que o campo exige disciplina, responsabilidade e respeito pelas pessoas. Essa vivência moldou sua forma de empreender e a levou a construir uma empresa especializada na comercialização e exportação de café verde, conectando produtores brasileiros a torrefadoras, importadores e compradores internacionais.
A virada aconteceu quando passou a representar, no Brasil, a torrefadora portuguesa Bicafé. A oportunidade abriu portas para o mercado internacional e inspirou a criação da Grão Verde Café. Desde então, a empresária passou a construir uma rede de negócios baseada em qualidade, rastreabilidade e relações comerciais duradouras, aproximando o café produzido no Brasil de mercados que valorizam origem, segurança e sustentabilidade.
Hoje, a empresa já comercializou mais de 370 toneladas de café — o equivalente a mais de 6 mil sacas — distribuídas em 11 embarques internacionais. Portugal foi o primeiro mercado atendido, enquanto novos negócios seguem em negociação com países como China, Japão, Reino Unido, Türkiye e Coreia. Todo o café exportado possui rastreabilidade completa e é adquirido diretamente de produtores que atendem às exigências ambientais e de qualidade do mercado internacional, com supervisão rigorosa da empresária.
Mais do que comercializar café, Fernanda trabalha para agregar valor à produção brasileira. Ela acompanha pessoalmente a seleção dos lotes e busca negociar diretamente com os produtores para que a valorização obtida no mercado internacional também gere benefícios para quem produz. “Eu brigo pela qualidade do produto. Eu busco direto do produtor para que o bônus que eu consigo lá fora fique com ele. Assim, ganha o produtor, ganha a Grão Verde e toda a cadeia se fortalece”, explicou.
Essa visão de negócio foi construída ao longo de cerca de duas décadas de relacionamento com o Sebrae. Participando de cursos, consultorias e capacitações, Fernanda buscou conhecimento para transformar experiência no campo em uma empresa preparada para competir internacionalmente. “São 20 anos que estou em meio ao Sebrae. Sempre que havia cursos ou eventos eu procurava participar. Vi muitas pessoas crescerem e acredito muito no trabalho desenvolvido pela instituição”, destacou.

