A 5ª edição da pesquisa “O Impacto da pandemia de Coronavírus nos Pequenos Negócios”, realizada pelo Sebrae desde o início da restrição de circulação de pessoas, confirmou uma informação já constatada pelos empreendedores brasileiros: as mulheres negras são as mais afetadas pela pandemia.
O levantamento que, nesta edição, teve como recorte gênero, raça, cor e escolaridade, apontou que o segmento de mulheres negras constitui que teve maior proporção de negócios que precisaram ser interrompidos (36%) e entre os empreendimentos que só funcionam presencialmente (27%).
Por ser o perfil de empreendedores brasileiros em maior número, as mulheres negras foram as que mais expandiram a venda por meio de delivery (41%), durante a pandemia. O número é de 38% para empreendedoras brancas. Em relação às vendas online, as mulheres brancas lideram com 49% de participação no segmento, contra 45% das que se declararam pretas ou pardas.
A pesquisa mostrou também que o desafio para mulher negra durante a pandemia foi ainda maior, porque foram as que mais precisaram mudar o produto ou serviço no período, registrando 26% do total. Entre as mulheres brancas, este número é de 13%. Com os empreendedores homens, a mudança em cerca de 12% deles, resultado similar para os homens brancos (11%).
Sobre os protocolos de segurança, 47% das mulheres negras declararam conhecer e ter implementado as medidas para evitar a disseminação do vírus. Este número é de 63% entre as mulheres brancas, 57% com os homens negros e 66% entre os homens brancos.
Em média, as mulheres empresárias negras esperam que a situação da economia volte ao normal em 13,1 meses, número parecido com as empreendedoras brancas (13,4 meses). Quanto ao porte dos negócios, 72% das negras afirmaram ser Microempreendedora Individual (MEI). A porcentagem de mulheres brancas com este enquadramento é de 55%.
Acesso ao crédito
Outro ponto abordado pelo levantamento foi o acesso ao crédito entre os empreendedores. A pesquisa mostrou que as mulheres negras foram as que mais tiveram a solicitação de crédito bancário negada, atingindo 58% delas, embora sejam as que menos buscaram crédito durante a pandemia (41%).
Em ralação aos valores solicitados, a maioria das mulheres negras foram as que solicitaram os montantes mais baixos, entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Nesta faixa de solicitação crédito, elas correspondem a 24% e as mulheres brancas, 17%. Entre os homens, os negros lideraram com a busca por crédito na faixa de R$ 10 mil a R$ 20 mil, sendo 24% deles, enquanto os homens brancos, nesta mesma faixa de valor, corresponderam a 22%.
Sobre a pesquisa
A 5ª edição do levantamento foi realizada entre os dias 25 a 30 de junho, com 6.470 empreendedores de todos 26 estados e Distrito Federal. A pesquisa composta por 57% de MEI, 38% de ME, 5% EPP (enquadramentos declarados). A iniciativa é do Sebrae, em parceria com a FGV Projetos.
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