Em um evento que tem como objetivo dar destaque à mulher negra empreendedora da Bahia, o nome da arquiteta Ester Guimarães, 56 anos, mulher negra e de origem humilde que cresceu no bairro de Periperi – subúrbio ferroviário de Salvador –, ganha notoriedade pela trajetória. Ester é uma das mulheres que participaram da 5º edição da Feira das Pretas, que aconteceu neste domingo (26), no Wish Hotel da Bahia, no Campo Grande. O evento idealizado pelo Sebrae reuniu cerca de 500 mulheres negras que encontraram no empreendedorismo a independência e a força que estava guardada esperando o momento certo para ser liberada.
A relação de Ester com a arquitetura iniciou ainda na fase do ensino médio, quando fez o curso de desenho técnico. Assim como sua mãe, que foi a única da família a conseguir cursar o nível superior, Ester também é a única dos três irmãos que cursou uma graduação. A busca pela conquista de um espaço no mercado sempre foi uma obstinação de Ester. Depois de cursar desenho técnico, ela sentiu que precisava avançar um pouco mais e resolveu cursar arquitetura. Entrou para a faculdade no ano 2000, na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Muitos acham que arquitetura não é uma profissão pra negros, que é só pra pessoas brancas que têm alto poder aquisitivo. Mas eu nunca me senti pior ou melhor do que ninguém, porque tinha certeza do curso que queria e onde eu queria chegar quando me formasse, e arquitetura foi uma coisa que sempre quis fazer”, disse Ester, orgulhosa da decisão que tomou há 20 anos. Ester conta que quando iniciou o curso eram 120 alunos na sala, mas apenas 3 estudantes eram negros. Foi uma observação que, segundo ela, chamou a atenção, mas não abalou a sua vontade de seguir em frente. “Nunca me abati por isso”, completou.
Não bastasse o desafio de ser uma pessoa negra, Ester já viveu alguns momentos onde teve que enfrentar também o machismo. “Trabalho com projetos e tomando conta de obras, tenho uma equipe de 12 pessoas que trabalha comigo e muitos deles são homens que façam a parte elétrica, hidráulica, marcenaria e às vezes sinto uma dificuldade deles aceitar que uma mulher está à frente da obra, mas não baixo a cabeça. Sigo em frente e hoje me relaciono muito bem com minha equipe”.
Para Ester, a Feira das Pretas é um espaço enriquecedor para toda mulher negra empreendedora pela possibilidade de conhecer histórias de sucesso que inspiram. “Conhecer a história de outras empreendedoras que participaram da feira foi uma inspiração para continuar na luta em busca do sucesso profissional e mais conquistas financeiras. Me sinto uma vencedora, uma pessoa realizada, mas sei que posso estar em uma lugar de destaque ainda maior”, disse.

O gerente regional do Sebrae Bahia, Rogério Teixeira, destacou a importância do evento para dar visibilidade ao trabalho das empreendedoras negras de Salvador e região. “Mais do que um espaço de venda e compra, é um espaço de aprender e de ensinar. A gente abre essa expectativa para as empreendedoras apresentarem o seu negócio e ao mesmo tempo mostra para a sociedade baiana o quanto de potência negra nós temos em nosso estado. É fundamental dar essa visibilidade e isso traz muito orgulho pra nós do Sebrae porque a gente coloca holofote nesse trabalho maravilhoso de empreendedorismo que as mulheres negras baianas desenvolvem”, concluiu Rogério.
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