Quinze baianas de acarajé receberam, nesta quarta-feira (4), no auditório do Sebrae, no Costa Azul, o certificado de capacitação em práticas sustentáveis pelo projeto Sustenta Folia, iniciativa do Sebrae em parceria com a Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência e Bem-estar e Proteção Animal da Prefeitura de Salvador (Secis).
Realizado na capital baiana, o projeto ganha ainda mais relevância por estar inserido no contexto do maior carnaval de rua do mundo, título reconhecido pelo Guinness Book (Livro dos Recordes). Considerada uma das maiores festas de rua do planeta, o Carnaval se destaca pela diversidade cultural, pelo festival de estilos musicais que aterrissa em Salvador nos sete dias de festa, pela alegria genuína do povo baiano, mas também pelas oportunidades de negócios que geram emprego e renda para muitas classes trabalhadoras.
Iniciado em setembro de 2025, o projeto teve o objetivo de qualificar os fornecedores do Carnaval com práticas sustentáveis, reforçando a atenção à agenda ESG como pauta principal para tratar da sustentabilidade nos negócios. O eixo das baianas de acarajé é uma das frentes do Sustenta Folia e foi estruturado para reconhecer, qualificar e fortalecer o ofício dessas profissionais, que têm papel fundamental na economia e na identidade cultural da festa. Além delas, o projeto também tem eixos voltados para micro e pequenas empresas que atuam no setor de entretenimento e cooperativas de reutilizáveis e recicláveis que trabalham durante o Carnaval.
A analista técnica do Sebrae e coordenadora do projeto Sustenta Folia pela instituição, Márcia Suede, enalteceu o cuidado que as baianas de acarajé têm com a natureza, que se deve, em grande parte, aos ensinamentos herdados das religiões de matrizes africanas. “Foi muito gratificante ver que elas já fazem o descarte correto dos resíduos e passam isso para os clientes. E aqui foi o momento de reforçar essas práticas sustentáveis que garantem uma qualificação alinhada a ESG. Essa é a proposta do projeto, envolver segmentos que estejam ligados com o carnaval, e a gente conseguiu alcançar o objetivo”, disse.

O subsecretário da Secis, Valter Pinto, lembrou da importância da formação de mão-de-obra qualificada e em dia com as questões da sustentabilidade. “A gente está falando de Carnaval e grandes eventos porque Salvador é uma cidade que promove grandes festas. Temos o turismo a partir do entretenimento, que é um grande catalisador e a gente precisa ter mão de obra e prestadores de serviço cada vez mais alinhados a essa prática da ESG”.
A coordenadora nacional da Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares (Abam), Rita Santos, aprovou a iniciativa do Sebrae em parceria com a Secis e falou em levar o conhecimento sobre as práticas sustentáveis para mais baianas e também baianos de acarajé. “É uma reparação, uma valorização do ofício e também da mulher negra aqui na nossa cidade. Que venham outros cursos como esse, que a gente possa botar mais baianas e agora também os baianos, porque nós temos muitos baianos na cidade, e o meio ambiente vai agradecer muito”.
Eleita embaixadora do Carnaval pelo projeto Sustenta Folia, a baiana Maria Emilia Bittencourt, que trabalha há mais de 60 anos com a comercialização de acarajé, saiu da capacitação grata pelo reconhecimento da categoria e disposta a multiplicar o conhecimento que adquiriu. “Como embaixadora, eu vou levar todo esse conhecimento que recebi aqui nessa formação para outras baianas. Vou buscar parcerias junto com a Abam, procurar empresas que queiram nos apoiar para que a gente possa reunir uma boa quantidade de baianas para construir essa conscientização do cuidado com a natureza”.


