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Café e turismo sustentável ganham força no Ecofestival da Serra dos Morgados

Ação fortalece a cafeicultura e transforma o território em destino turístico sustentável
Por Tamara Leal para ML Comunicação
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Mais do que uma bebida apreciada mundialmente, o café tornou-se, na Serra dos Morgados, em Jaguarari, no Centro-Norte da Bahia, um agente de transformação econômica, social, ambiental e cultural. E essa força foi destacada no sábado, 25, na palestra ‘Tesouros da Serra dos Morgados, Experiências Autênticas que Transformam Identidade em Destino Turístico’, com a especialista em turismo rural e doutora em agroturismo cafeeiro, Alline Trancoso, mediada pelo produtor de cafés especiais, Joaquim Novaes, da Café Zohar, da Fazenda Cacheira.

A ação aconteceu dentro da extensa programação do IV Ecofestival do Café da Serra dos Morgados. Realizada pelo Sebrae, um dos principais parceiros na realização do evento, a capacitação contou com a participação de cerca de 50 pessoas e focou no turismo de experiência e na valorização da identidade cultural da região. A entidade atua junto aos cafeicultores das Serras do Sertão em toda a sua cadeia produtiva – desde o manejo e a colheita até a pós-colheita (etapa fundamental na produção dos cafés especiais) -, na precificação, gestão de marca e marketing.

De acordo com a gestora do Sebrae e responsável pelo Projeto de Cafés Especiais na regional, Amanda Teixeira, como maior instituição de fomento ao empreendedorismo no Brasil, o Sebrae desempenha um papel primordial para o cafeicultor, oferecendo projetos estruturados com especialistas dedicados ao setor.

“Acreditamos no potencial do turismo de experiência e de base comunitária para o desenvolvimento local. Conforme observado em regiões como o Planalto da Conquista e a Chapada Diamantina, a integração entre o turismo e a cafeicultura é uma estratégia eficaz para a agregação de valor. Portanto, o Sebrae continuará investindo no fomento dessa iniciativa na Serra dos Morgados”, destaca Amanda.

Com início dos trabalhos em 2024, o projeto dos cafés especiais das Serras do Sertão reconhece o alto potencial turístico da Serra dos Morgados, que já possui uma base sólida de hospitalidade e receptividade.

“Iniciamos com um diagnóstico detalhado para identificar produtores e parceiros estratégicos. O plano de ação contempla a formatação de experiências turísticas e a implementação de infraestrutura, como sinalização e materiais promocionais, para projetar a região nacional e internacionalmente”, ressalta Amanda Teixeira.

O trabalho da especialista, Alline Trancoso, teve início com estudo do material já produzido por especialistas, visita técnica com captação de depoimentos de cafeicultores e a população em geral e culminou com a palestra durante o festival. Ela identificou que já existe um arranjo produtivo e turístico na região desde 2018, e o trabalho atual é apenas o início de um longo caminho de estruturação do destino.

“Acredito que este resultado seja o ápice de um trabalho contínuo que temos desenvolvido. Percebo uma receptividade excepcional e, o que considero mais relevante, é o fato de ter contado, na plateia, com profissionais com os quais já colaborei em outros territórios. Eles conhecem o potencial do nosso trabalho e puderam trazer essa experiência prévia para cá, somando-se a outros especialistas de renome nacional no setor de turismo que aqui se encontram”, evidencia Aline.

A especialista enfatizou que o evento, de grande porte e com auditório lotado, permitiu alcançar um público distinto daquele que o Sebrae já atingiu em outras capacitações. “Isso demonstra que eventos dessa natureza são fundamentais para ampliar o alcance e conferir maior visibilidade ao potencial das Serras do Sertão. O objetivo é despertar o interesse não apenas do produtor de café, mas de toda a cadeia produtiva local, mostrando que o café vai muito além da bebida servida na xícara: há toda uma cultura ao seu redor”, afirma.

Pequeno produtor de café no município de Senhor do Bonfim, José Celestino da Silva, acompanhou com grande interesse a palestra e os estudos de Aline Trancoso. “Aprecio muito a introdução ao turismo, pois compreendo que essa atividade traz grandes benefícios para a região, com promoção do desenvolvimento financeiro e produtivo para toda a nossa região. É uma iniciativa de alta relevância, visto que atrai visitantes tanto de outras regiões do país quanto do exterior”, disse Senhor José, enviando um recado aos mais jovens: “Embora eu ainda avalie se ingressarei na atividade turística, devido à minha idade — já que estou com 70 anos —, se eu fosse mais jovem, certamente investiria no setor de turismo. É uma área promissora para a região e, sem dúvida, eu dedicaria esforços a ela”, finalizou.

O ecossistema turístico beneficia a hotelaria, gastronomia e produtores locais de diversos segmentos, como a confeitaria, que encontram no turismo uma oportunidade de agregar valor ao seu negócio. O preparo para receber o visitante gera reflexos positivos em todo o município, impulsiona melhorias em áreas como segurança e saúde. “Quando nos estruturamos para o turista, na verdade, estamos aprimorando a qualidade de vida dos próprios munícipes, tornando a cidade mais atrativa para quem aqui reside”, finalizou Aline.

O Ecofestival do Café aconteceu de 24 a 26 de julho de 2026, na Serra dos Morgados, em Jaguarari, e contou os maiores especialistas/estudiosos do ecoturismo e da cafeicultura do país, público constante nas palestras e degustações, aliado à multiplicidade de expositores — que foram desde o artesanato e produtores de queijos até uma vasta rede de comércio local. Tudo isso evidencia que o café é apenas o ponto de partida para um grande projeto de integração regional.