Para o produtor rural Leandro Peixoto, conhecimento é um dos principais ingredientes para transformar a produção de cacau. Pequeno produtor em quantidade de terra, como ele próprio define, Leandro encontrou na capacitação uma forma de alcançar resultados expressivos no campo. Depois de participar da Escola do Cacau, iniciativa do Sebrae, ele conseguiu produzir 512 arrobas em 2.465 plantas no ano passado, o equivalente a cerca de 208 arrobas para cada mil plantas. Para este ano, a expectativa é ainda maior: 300 arrobas por mil plantas. “Tudo isso é graças à Escola do Cacau, porque a Escola do Cacau nos ensinou um manejo correto, nos ensinou a seguir um calendário agrícola correto”, destaca o produtor.
Agora, o desafio é ir além da produtividade e transformar qualidade em valor de mercado. Foi com esse propósito que Leandro participou, no dia 1º de setembro, em Jequié, do primeiro encontro da Escola do Cacau Qualidade, promovido pelo Sebrae. A formação busca preparar produtores para a produção de cacau fino, ampliando as possibilidades de comercialização das amêndoas.

Embora já trabalhe com cacau fino, Leandro conta que o encontro contribuiu para aperfeiçoar técnicas que já utiliza na propriedade. A capacitação abordou aspectos que vão desde o manejo até a colheita e o pós-colheita, com atenção especial à fermentação e aos critérios utilizados para avaliar a qualidade das amêndoas.
“Embora eu já faça cacau fino, a Escola do Cacau lapidou ainda mais as técnicas que eu utilizo. Foi um evento muito bacana, em que o orientador apresentou tanto na teoria quanto na prática a importância do manejo correto, de uma colheita bem feita, de um pós-colheita bem manejado e de uma fermentação bem acompanhada”, explica.
Mais valor para o cacau produzido na região
A proposta da Escola do Cacau Qualidade é estimular o produtor a ampliar as possibilidades dentro da própria cadeia produtiva. Além do cacau commodity, comercializado como amêndoa comum, a formação apresenta técnicas e conhecimentos necessários para a produção de amêndoas classificadas como cacau fino.
De acordo com Cláudio Machado, gestor do Projeto Cacau e Derivados do Sebrae no Sudoeste, a iniciativa responde a uma necessidade cada vez maior de agregar valor à produção regional. “O produtor não vai ter só o cacau commodity, ele vai ter também o cacau fino, que geralmente é comprado pelas chocolateiras brasileiras, as grandes, e pagam um valor muito mais agradável, agregado”, explica.
A diferença de preço ajuda a dimensionar o potencial dessa estratégia. Segundo Cláudio, enquanto o cacau comum tipo 1 está cotado atualmente entre R$ 335 e R$ 340 a arroba, o cacau fino de alta qualidade, certificado dentro dos padrões de fermentação, umidade, qualidade da amêndoa e aromas, pode alcançar entre R$ 600 e R$ 800 por arroba.
Para Leandro, investir em qualidade também significa olhar para as novas demandas do consumidor. Ele conta que a propriedade já avançou para a produção de chocolate e vê na valorização do cacau uma oportunidade para toda a cadeia. “Nós já temos um chocolate, a barra da árvore, e tudo isso a gente agradece aos conhecimentos do Sebrae, aos nossos conhecimentos, ao nosso empenho”, afirma.
Capacitação alia teoria e prática
O primeiro encontro da Escola do Cacau Qualidade teve como foco as boas práticas e a qualidade, incluindo conteúdos relacionados ao manejo e à produção de cacau fino. A formação conta com a participação do Centro de Inovação do Cacau (CIC), laboratório de referência tecnológica e científica localizado no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus.
O CIC atua com análises físico-químicas, avaliação de defeitos e testes de qualidade das amêndoas, além de análises sensoriais que identificam características de sabor e aroma. O centro também desenvolve capacitações relacionadas à colheita, pós-colheita, classificação e técnicas de fermentação.
A Escola do Cacau Qualidade terá cinco módulos, conduzidos por facilitadores contratados pelo Sebrae. O próximo encontro está previsto para os dias 28 e 29 de setembro, quando serão trabalhadas a qualidade genética e a diversidade dos materiais de cacau, além dos processos de qualidade pós-colheita.
Na sequência, os participantes terão um módulo dedicado ao monitoramento das etapas de produção do cacau fino, com atividades teóricas e de campo. A programação será encerrada, com previsão para dezembro, no laboratório do CIC, onde os produtores poderão compreender na prática como é feita a análise e o reconhecimento de uma amêndoa de qualidade. A expectativa é que o conhecimento adquirido ao longo da formação ajude a fortalecer a produção regional e abrir novas possibilidades de mercado para os produtores.
Para Leandro, os resultados que já experimentou mostram o potencial desse caminho. Além de aplicar os conhecimentos na própria propriedade, ele também atua como consultor do Sebrae e compartilha as experiências com outros produtores. “Espero que esse projeto perdure por muito tempo, porque eu tenho certeza de que o Sebrae, juntamente com essa Escola do Cacau, está ensinando ao produtor a vender saúde”, destaca.

