O painel ‘Empreendedorismo para Resolução dos Desafios das Cidades’ oportunizou a discussão, na tarde de sexta-feira (27), sobre o fomento da ciência, inovação e tecnologia na Bahia, no terceiro dia do Salão Sebrae das Cidades Empreendedoras (SSCE), que acontece no Centro de Convenções Salvador até este sábado (28).
Na abertura, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), Marcius Gomes, abordou o papel estratégico desempenhado pela pasta que lidera. “Nessa dimensão territorial que representa a Bahia, essa agenda de inovação, ciência e tecnologia é estratégica para o desenvolvimento do estado”, afirmou. Para ele, o entendimento de que o desenvolvimento da Bahia acontece nos seus municípios é fundamental para se compreender de que forma o Executivo pode colaborar para a efetivação das políticas públicas.
“A inovação não acontece somente na capital, ela acontece também nos pequenos municípios do estado. E ciência, tecnologia e inovação não é para poucos. Todos precisam ter esse acesso e pensar o desenvolvimento econômico e social a partir dessas oportunidades”, comentou o secretário. Ao falar sobre parceiros emprenhados em cooperar com o desenvolvimento dos territórios da Bahia, Marcius Gomes citou o Sebrae e seu papel fundamental de fortalecimento da economia. “O Sebrae é um braço desse ecossistema que está nos municípios, com a infraestrutura e a possibilidade de desenvolver projetos”, enfatizou.
A analista regional do Nordeste da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Cristina Damaceno, discorreu sobre o papel da entidade na promoção do financiamento à inovação no estado. Ela destacou a importância de a entidade participar do SSCE, onde estão reunidos representantes dos municípios baianos, tendo em vista que é a maior agência de inovação do país. Segundo ela, a missão da Finep é transformar o Brasil por meio da inovação e da pesquisa científica e tecnológica.

“Cada vez mais, a Finep tem dado atenção para as regiões que estão menos favorecidas no histórico de financiamento, notadamente as regiões Nordeste, o Centro-Oeste e o Norte, em especial nos territórios do interior. Nesse sentido, temos promovido muitas políticas voltadas para o aumento tanto de crédito, empréstimo subsidiado, quanto de recursos de subvenção”, pontuou a analista. Em sua fala, Cristina Damaceno chamou a atenção dos gestores municipais para o fato de que inovação não se trata apenas de projetos disruptivos. “Inovar é criar conhecimento, com uma nova forma de caminhar, otimizando processos”, sintetizou Cristina.
Ela apontou, ainda, que nunca houve tantas oportunidades de financiamento oferecidas pela Finep. De acordo com a analista, nos três últimos anos, a Bahia recebeu mais de R$ 1 bilhão de recursos de crédito ou subvenção econômica. Na ocasião, a gestora citou os editais disponíveis no site da Finep [http://www.finep.gov.br/], que oferecem recursos para as missões da nova indústria Brasil, dentre os quais muitos voltados para projetos relacionados a cidades empreendedoras, à economia circular, gestão de resíduos, mobilidade urbana, dentre outros.
O gerente de Negócios de Empreendedorismo e Inovação do Senai Cimatec, Vilson Alves, reconheceu a importância da oportunidade de falar sobre empreendedorismo no SSCE. “Apoiar o empreendedorismo não é só ajudar a abrir um CNPJ. É preciso ter competitividade e isso se obtém com inovação, ciência e tecnologia”, afirmou. Ele apontou que o Senai Cimatec surgiu, em 2002, identificando que a indústria e o setor produtivo do século XXI precisavam não apenas de mão de obra, mas também de inovação, pesquisa e desenvolvimento. “O Senai atualmente está muito mais voltado a ser um serviço nacional de apoio à inovação. Hoje, trabalhamos de forma mais ampla, a partir da educação profissional, com escola técnica, ensino superior, pesquisa, desenvolvimento e serviços tecnológicos”, explicou.

O Senai Cimatec, informou Vilson Alves, possui uma das carteiras mais representativas de projetos no país, que somam quase R$ 2 bilhões, em 94 unidades no território nacional. As formas de atuação acontecem em cooperação com outros centros de pesquisa, com as redes estaduais, ambientes acadêmicos e agências de fomento. “Existem inúmeras fontes de fomento e, para o empreendedor navegar nisso sozinho, não é simples. Nós o auxiliamos a buscar o projeto de pesquisa e direcionamos como ele pode financiar aquele projeto e obter os melhores resultados no negócio”, concluiu.

