ASN BA Atualização
Compartilhe

Produtora rural fortalece atividade leiteira com apoio do Sebrae no Sudoeste da Bahia

No mês da mulher, história de Marília França mostra como capacitação, tecnologia e melhoramento genético impulsionam a produção no campo
Por Nayla Gusmão para ML Comunicação
ASN BA Atualização
Compartilhe

A trajetória da produtora rural Marília França, de Ibicuí, no Médio Sudoeste da Bahia, mostra como conhecimento, perseverança e apoio técnico podem transformar a atividade no campo. Participante do Projeto de Leite e Derivados do Sebrae, na região de Vitória da Conquista, ela tem investido em melhoramento genético e qualificação para fortalecer a produção de leite na propriedade da família.

A relação de Marília com o campo começou ainda na infância. Filha de produtor rural, ela cresceu acompanhando a rotina da fazenda, mas seguiu inicialmente outro caminho profissional. Após concluir a faculdade, decidiu retornar à cidade natal para se dedicar à propriedade que herdou do pai, ao lado da mãe. “Depois que meu pai faleceu, a propriedade ficou para mim e para minha mãe. Durante muitos anos, não tive uma participação tão direta, porque fui estudar, fiz faculdade e me formei em Direito. Mas sempre tive um carinho muito grande pela fazenda e por tudo que envolve o campo”, conta.

O retorno definitivo aconteceu em 2020. A partir daí, Marília passou a se envolver diretamente com a produção de leite. No início, o rebanho da propriedade ainda não contava com melhoramento genético. Por isso, buscou capacitação e apoio técnico e, por meio do Sindicato Rural de Ibicuí, a produtora conheceu iniciativas de capacitação voltadas ao agronegócio e teve contato com o trabalho do Sebrae e do Senar. A partir dessa aproximação, participou de cursos, orientações técnicas e projetos de inovação na produção leiteira.

Uma das experiências foi a participação no projeto de Fertilização In Vitro (FIV), voltado ao melhoramento genético do rebanho. A primeira tentativa, no entanto, não teve o resultado esperado. Mesmo diante da frustração inicial, Marília decidiu tentar novamente no ano passado. Desta vez, com o apoio técnico e participação no projeto do Sebrae, o resultado superou as expectativas.

“Com o apoio do analista técnico Thiago e também de Rhelrison, do Sebrae, entramos novamente do projeto. Dessa vez, tivemos um resultado excelente: cinco vacas ficaram prenhas e as cinco pariram bezerras FIV. Isso me deixou extremamente feliz, porque sabemos que trabalhar com melhoramento genético exige investimento e muitas vezes não é algo fácil de fazer sozinho dentro da propriedade”, afirma.

Hoje, a produtora segue investindo em organização, manejo adequado e qualidade do rebanho. Para ela, a atividade leiteira exige dedicação constante. “Apesar das dificuldades que existem no campo, acredito muito no potencial da nossa produção. A atividade do leite exige organização, alimentação de qualidade e muita atenção com a saúde do rebanho. Minha ideia é sempre evoluir um pouco mais, alcançar uma meta, consolidar o resultado e seguir avançando”, explica.

Além do desenvolvimento do negócio, Marília também destaca a importância do protagonismo feminino no campo, especialmente em um setor que ainda enfrenta desafios relacionados ao reconhecimento do trabalho das mulheres. “No campo ainda existe muito preconceito. Muitas vezes as pessoas não acreditam no potencial da mulher. Mas a realidade é que a mulher também administra, toma decisões e faz o negócio acontecer. Quando temos um objetivo claro e metas bem definidas, conseguimos superar os desafios”, ressalta.

Segundo o gestor do Projeto de Leite e Derivados do Sebrae, na região de Vitória da Conquista, Rhelrison Nascente, histórias como a de Marília mostram o impacto das ações de capacitação e inovação desenvolvidas junto aos produtores do território Médio Sudoeste Baiano, que tem forte tradição no agronegócio, especialmente na pecuária. “Em uma pesquisa realizada no ano passado, identificamos que a produção de leite aumentou 55% entre os produtores atendidos pelo Sebrae. Para 2026, o investimento será de quase um milhão de reais em tecnologia, capacitações e consultorias com valores abaixo do mercado. O projeto tem sido um divisor de águas para muitos pequenos produtores da Bahia”, destaca.