O que começou com o sonho de transformar o leite produzido nas propriedades rurais em produtos de valor agregado acaba de ganhar um novo capítulo. Três agroindústrias do Sudoeste Baiano conquistaram o selo do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte da Bahia (SUSAF-BA), certificação que autoriza a comercialização de produtos de origem animal em todo o estado e amplia significativamente as oportunidades de mercado para os empreendimentos.
A conquista foi alcançada pela Queijaria Nobre, Estância da Barra e Nature Milk, negócios que fazem parte de uma trajetória de desenvolvimento construída ao longo dos últimos anos com o apoio de diversas instituições parceiras, entre elas o Sebrae. Os certificados foram entregues durante o 4º Encontro de Diversificação da Agricultura Familiar que aconteceu em Barra do Choça entre os dias 27 e 28 de maio.
Na prática, o SUSAF-BA estabelece a equivalência entre os serviços municipais de inspeção e o sistema estadual, permitindo que agroindústrias antes limitadas à comercialização em seus municípios possam expandir suas vendas para toda a Bahia. Além de ampliar mercados, a certificação fortalece a segurança alimentar, agrega valor aos produtos e impulsiona a geração de renda no campo.
Para o produtor André Moraes, da Queijaria Nobre, o selo representa a realização de uma importante etapa da jornada empreendedora. “É o resultado de uma batalha de quem começou pequeno. Hoje conseguimos produzir na nossa fazenda e levar esse produto para a mesa de todo o estado da Bahia. É uma conquista muito importante, não apenas como produtores de queijo, mas também como produtores de leite que estão conseguindo escoar sua produção da melhor forma possível”, destacou.

A emoção também marca a história da Estância da Barra. Segundo a produtora Adriana Carvalho, o crescimento do negócio superou expectativas e agora ganha novas perspectivas com a certificação. “Estamos muito felizes. Depois de conquistar o selo municipal, agora recebemos o SUSAF, que nos permite comercializar nossos queijos em toda a Bahia. É um passo importante para expandir nossa rede de vendas e fazer com que mais pessoas possam desfrutar dos nossos produtos. Tudo isso nasceu na nossa cozinha, sem que imaginássemos que pudesse alcançar tamanha dimensão”, contou.

Na Nature Milk, a conquista representa a oportunidade de levar produtos já reconhecidos pelos consumidores a novos mercados. O produtor Kelisson Lima explica que o selo elimina uma das principais barreiras para o crescimento da empresa. “Agora teremos liberdade para comercializar nossos produtos em todo o estado da Bahia. Isso era um desafio para a expansão do negócio. O SUSAF traz a legalidade necessária para crescermos com segurança e levarmos produtos de qualidade para cada vez mais consumidores”, afirmou.

A certificação também evidencia o fortalecimento de toda a cadeia produtiva do leite na região. De acordo com a gestora do Projeto Cafés Especiais do Planalto da Conquista, Mônica Rizerio, que acompanhou a trajetória desses negócios ao longo dos últimos anos, o resultado é fruto de um trabalho contínuo de qualificação, inovação e organização dos produtores.
“Essa conquista evidencia uma trajetória de desenvolvimento construída há vários anos junto à cadeia produtiva do leite. Desde 2015, o Sebrae vem ofertando soluções voltadas ao fortalecimento da atividade leiteira, incluindo ações de melhoria genética dos rebanhos, capacitações, consultorias e iniciativas voltadas à produção de derivados lácteos de maior valor agregado”, explicou.
Segundo ela, marcos importantes como a realização do Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados (ENEL), em 2022, os cursos de produção de queijos artesanais e o apoio à organização coletiva dos produtores contribuíram para criar um ambiente favorável à profissionalização do setor. Além disso os produtores se organizaram e entregaram ao Governo do Estado, durante a Exposição Agropecuária de Vitória da Conquista em 2024, um documento de solicitações relacionadas à formalização das agroindústrias o que se tornou uma necessidade estratégica.
O movimento culminou na criação da Associação Queijo Baiano, fortalecendo a representatividade dos pequenos produtores e ampliando o acesso a mercados, certificações e políticas de desenvolvimento.

