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Pesquisa do Sebrae aponta que 57% das mães empreendedoras baianas têm no próprio negócio sua principal fonte de renda

Estudo indica que empreendedorismo feminino avança como alternativa de autonomia e sustento, apesar de desafios estruturais e sobrecarga na conciliação com a maternidade
Por Carlos Baumgarten pra ML Comunicação
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O empreendedorismo tem se consolidado como principal meio de sustento para muitas mães baianas. Levantamento da 3ª edição da pesquisa “Maternidade e Negócios – A força das mães empreendedoras baianas”, do Sebrae, revela que 57% das mães empreendedoras têm o próprio negócio como única fonte de renda, evidenciando o papel central dessas atividades na manutenção financeira das famílias.

O estudo mostra ainda que o perfil dessas empreendedoras é majoritariamente composto por mulheres negras (74%), com atuação concentrada nos setores de serviços (52%) e comércio (34%). Para 30% das entrevistadas, empreender é uma forma de trabalhar com o que gostam ou realizar um sonho. A busca por flexibilidade de horários aparece como outro fator relevante para conciliar trabalho e maternidade.

Apesar do protagonismo econômico, cerca de 41% das mães empreendedoras têm renda de até dois salários mínimos, e grande parte enfrenta dificuldades na gestão do negócio, especialmente no acesso a assessorias especializadas (53%), na administração financeira (35%) e na carga tributária (29%).

A sobrecarga também é um fator marcante. Apenas 39% contam com apoio do parceiro nos cuidados com a casa e os filhos, enquanto muitas acumulam integralmente as responsabilidades domésticas e profissionais. Além disso, 59% não participam de redes de empreendedorismo feminino, o que pode limitar o acesso a oportunidades de capacitação e expansão dos negócios.

Outro dado relevante é que 46% das entrevistadas afirmam já ter sofrido preconceito por serem mulheres empreendedoras.

Realidade que se impõe

Jô Lima é uma dessas mães empreendedoras que conseguiu mudar a realidade por meio do próprio negócio. Mas ela vive os desafios que se impõem sobre o dia a dia. Jô começou a empreender na sala da casa da mãe, em Jardim Cruzeiro, periferia de Salvador, movida por uma necessidade concreta: juntar dinheiro para casar. “Eu comecei com o que eu tinha”, lembra. Entre o trabalho como pedagoga e a rotina de estudos, atendia clientes à noite, após um curso de alongamento capilar. O que era um complemento de renda ganhou outro peso em 2012, quando formalizou o negócio. “Ali eu entendi que era dali que vinha o meu sustento.”

A maternidade trouxe novos desafios e expôs a sobrecarga comum a muitas mulheres empreendedoras. Com dois filhos pequenos, Jô viu o faturamento cair e precisou conciliar o cuidado com as crianças e a sobrevivência do negócio. “Eu fiquei dias sem atender e vi minha empresa parar.” Em um dos momentos mais difíceis, voltou a trabalhar oito dias após o parto. “Eu precisava daquele dinheiro. Desci com meu filho recém-nascido para atender.”

Foi nesse contexto que buscou apoio no Sebrae e encontrou na gestão um ponto de virada. “Eu entendi que não era só técnica.” A partir de consultorias e capacitações, reorganizou a empresa, ampliou a atuação e passou a investir também na formação de outras mulheres.

Hoje, à frente do Jô Lima Academy, ela associa o sucesso à autonomia e à qualidade de vida dos filhos. “Eu me considero bem-sucedida pelo que construí e pelo que posso oferecer a eles.” Para outras mães, deixa um conselho direto: “Não espere o momento perfeito. Comece com o que você tem e não desista.”

Cenário desafiador

A gestora estadual do Sebrae Delas, Valquíria de Pádua, destaca que a pesquisa revela um cenário desafiador. “Além de mostrar que, para muitas mães baianas, o próprio negócio é o que garante o sustento da família, o estudo indica que elas empreendem com pouca renda, pouco apoio e acumulando muitas responsabilidades. É nesse contexto que iniciativas como o Sebrae Delas se tornam ainda mais relevantes, ao oferecer capacitação, orientação e rede de apoio para fortalecer esses negócios e ampliar as oportunidades de crescimento”, afirma.

Foram entrevistadas 475 participantes mães empreendedoras, entre 3 e 20 de fevereiro de 2026. A margem de erro é de 5% e o grau de confiança é de 95%. A pesquisa na íntegra pode ser conferida aqui.