A presença das mulheres na cadeia produtiva do café tem alcançado números animadores para o setor. Tradicionalmente comandado pelo gênero masculino, a produção do grão tão querido pelos brasileiros vem dando, cada vez mais, espaço para o talento feminino na agricultura. Entendendo a importância dessa mudança na cultura do café, o Sebrae protagonizou o painel “O Papel da Mulher na Agricultura”, durante a 4ª edição do Festival Baiano de Cafés, que iniciou neste sábado (15), em Salvador, e segue até domingo (16), no Trapiche Barnabé, em Salvador.
O painel foi mediado pela analista técnica do Sebrae por Ana Carolina Lima, e contou com a participação de três empresárias que estão à frente de marcas de café produzido em território baiano. Nadir Blatt (café Grão Seleto), Tadeane Matos (café Igaraçu) e Caren Mafra (café Mafra) foram as convidadas do painel e destacaram um pouco de suas trajetórias e da produção do café em suas famílias, com recorte especial para a presença das mulheres no processo de produção.

O coordenador de Agronegócios do Sebrae Bahia, Wagner Carvalho, acompanha de perto os produtores baianos de café e assegura que o estado tem se destacado no segmento nos últimos anos e alcançado mercados fora do território baiano. “A Bahia é um celeiro de grandes marcas de café, e a gente conseguiu unir nesse evento produtores de cafés especiais que se destacam no mercado dentro e fora da Bahia. Muitas marcas aqui já são premiadas e algumas já exportam para outros países. O Sebrae tem essa missão de acompanhar de perto todos esses produtores, dando todo suporte através de consultorias, capacitações focadas no crescimento, no intuito de fortalecer esses produtores e contribuir para o desenvolvimento do segmento em todo estado. Temos aqui marcas consolidadas, são mais de 70 expositores, que mantêm e incentivam a cultura do café por gerações em diferentes regiões da Bahia”.

Os visitantes puderam ainda desfrutar de sessões de cupping (método profissional de degustação e avaliação sensorial do café) realizado durante o evento. É nesse momento que se confirma se o que se apresenta no aroma é percebido na degustação da bebida. “A proposta é mostrar para o público de Salvador um café de qualidade. São cafés que se diferenciam do tradicional, justamente porque você vai buscar nele todas as notas, sabores, sentidos que essa bebida especial tem. E esse cuidado começa desde a colheita, onde aquele grão é selecionado, o processo de torra é controlado e tudo isso diferencia ele de um café tradicional. Então, o cupping vem com esse objetivo de valorizar e mostrar o quão especial são esses cafés”, explicou Wagner Carvalho.

Além de participar do painel realizado pelo Sebrae, a CEO da marca de café Igaraçu, Tadeane Matos, apresentou o seu produto em um estande na feira. Ela explicou a importância da realização de eventos que apresentem o café especial para o público consumidor. “Esse evento faz com que nós baianos, principalmente da capital, possamos experimentar o que é realmente um café bom. É uma mudança cultural, e é com esse tipo de evento que começa essa mudança. E ainda sonho que um dia os brasileiros vão querer só café especial na mesa”, relatou.

Com apenas 24 anos, a gerente na empresa da família, Caren Mafra, cultiva café no município de Rio de Contas, região da Chapada Diamantina, em um povoado chamado Mato Grosso. Ela falou da satisfação de poder representar as mulheres da família e destacou a habilidade feminina no manuseio do grão do café, desde a colheita até a torra.
“É uma responsabilidade enorme saber que eu tenho representado não só a mim, mas outras mulheres que vieram antes de mim, como minha mãe e minha avó. Elas também estão juntas na fazenda em trabalhos que, muitas vezes, não são vistos, mas que são diferenciais importantes que fazem hoje o café especial acontecer. E saber que as mulheres tem sido reconhecidas nesse espaço é um privilégio. É muito bom ver o trabalho das mulheres colhendo café de forma seletiva, com todo cuidado, com um olhar sensível que só a mulher tem é muito gratificante”.

O festival reuniu produtores, torrefadores, cafeterias, especialistas e atraiu o público amante do café. A programação contou com palestras, oficinas, degustações, harmonizações, rodas de conversa, gastronomia e atrações musicais.

