Sete produtores rurais cooperados da Cooperativa dos Produtores Rurais de Jaguaquara (COOPJAGUAR) participaram, entre os dias 15 e 17 de setembro, de uma missão técnica ao município de Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. Promovida pelo Sebrae, a iniciativa teve como objetivo proporcionar o intercâmbio de conhecimentos e experiências sobre a produção de chuchu, além de ampliar o contato dos agricultores com práticas de manejo, tecnologias, estratégias de produção, comercialização e organização cooperativista.
Localizado na região Serrana do Espírito Santo, Santa Maria de Jetibá é um dos principais polos nacionais de produção de chuchu, com aproximadamente 1.600 hectares cultivados. O Espírito Santo lidera a produção brasileira, com cerca de 49,9 mil toneladas por ano. A Bahia aparece entre os principais estados produtores, com aproximadamente 34 mil toneladas, tendo Jaguaquara como um dos municípios de destaque na atividade.
A escolha do destino levou em consideração justamente a experiência acumulada pelos produtores capixabas. Segundo o gestor do Projeto de Horticultura do Sudoeste do Sebrae, Marcelo Leite, a missão representa uma oportunidade de aproximar realidades produtivas e identificar soluções que possam ser adaptadas ao contexto de Jaguaquara e região. “A missão técnica possibilitou aos produtores conhecer sistemas produtivos consolidados, tecnologias adaptadas à cultura e estratégias utilizadas por agricultores que trabalham há anos com o chuchu. Esse intercâmbio permite identificar práticas que podem ser aplicadas à realidade de Jaguaquara, contribuindo para melhorar o manejo, a produtividade, a qualidade e a comercialização”, destaca Marcelo.

A produção de chuchu em Santa Maria de Jetibá também chama atenção pelas características da variedade predominante na região, de coloração verde-clara e bastante aceita pelo mercado. Entre os diferenciais estão a maior maciez, menor quantidade de espinhos, sulcos menos profundos, que facilitam o descascamento, e maior resistência a pragas.
Para os agricultores de Jaguaquara, conhecer essa experiência na prática foi uma oportunidade de observar diferenças e possibilidades para a própria realidade. É o que relata Nelcivaldo Barbosa, produtor rural e cooperado da COOPJAGUAR. Segundo ele, a busca por conhecimento foi um dos motivos que levaram o grupo a participar da missão. “A gente tem a necessidade de buscar conhecimento com cooperativas que deram certo, que estão bem, cooperativas que não deram certo e também com produtores rurais. Vimos a necessidade de ir a Santa Maria de Jetibá, fazer uma visita aos produtores de chuchu, já que nosso forte também é chuchu e outros hortifrútis”, conta.
Durante a missão, os produtores puderam observar aspectos relacionados à organização da produção, à disponibilidade de insumos e às condições de comercialização. Para Nelcivaldo, uma das percepções foi a diferença na estrutura de distribuição e nas condições de produção entre os dois territórios.
“A gente percebeu as particularidades deles, o diferencial entre eles e a gente. Eles estão mais centralizados, comercialmente falando. Não têm um centro grande de distribuição do lado deles, mas têm vários centros logo perto. Também têm uma oferta muito grande de esterco de galinha, e com isso fazem uma adubação orgânica muito boa. Ao longo do tempo, a terra vai ficando com uma qualidade excelente”, relata.
Experiência com cooperativismo
Além das propriedades rurais, a programação incluiu a visita a uma cooperativa que atua nos segmentos de ovos, hortifruti e leite. Fundada há 62 anos com 20 cooperados, a organização atualmente reúne cerca de 25 mil associados e mantém unidades em diferentes cidades dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais.
A experiência chamou a atenção dos produtores de Jaguaquara, especialmente pela trajetória de crescimento construída ao longo das décadas. Para Nelcivaldo, conhecer a história da cooperativa também trouxe reflexões sobre o futuro da própria COOPJAGUAR, constituída em 2023. “Foi muito bom conhecer o presidente da cooperativa, que deu uma atenção muito boa para a gente e explicou tudo sobre cooperativismo no Espírito Santo. Eu vim a dizer que não existe um agro forte se não tem um cooperativismo forte. É o que a gente percebeu lá”, afirma.
Para o Sebrae, a troca de experiências contribui não apenas para o aprimoramento técnico da produção, mas também para o fortalecimento da organização dos produtores e da cadeia produtiva como um todo. Segundo Marcelo, “A expectativa é que os conhecimentos adquiridos durante a missão possam ser incorporados gradualmente às propriedades e à atuação da cooperativa e gerem resultados para toda região”, concluiu.

