Na sexta-feira (16), o Fórum de Inovação, Cultura e Criatividade da Bahia (FICC), promovido pelo Sebrae, dentro da 12ª edição do Simpósio Internacional de Inovação e Tecnologia (SIINTEC), no Senai Cimatec, em Salvador, levantou a discussão sobre “Economia circular e desenvolvimento territorial”, na mesa, com a presença do prefeito de Maringá, Silvio Barros, a presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular (IBEC), Beatriz Luz, e a medição do representante de Relações Institucionais do Senai Cimatec, Walter Pinheiro.
Para iniciar a conversa, o gerente da Unidade de Negócios do Sebrae Bahia, Antônio Carlos Borges, destacou a importância de tratar do tema da Economia Circular e desenvolvimento territorial, no FICC 2026.
“Durante o SIINTEC, onde se fala sobre o clima, a sustentabilidade e o futuro e a energia, a gente traz como tema economia circular e economia criativa. Esses dois dias foram muito importantes, porque trabalhamos na busca da transformação de processos, da transformação de pessoas e para a melhoria de um ambiente sustentável. E dentro dessa constelação de painéis, nós trouxemos várias estrelas, que trabalham tanto com a economia circular como criativa, para apresentar para vocês conhecimentos e experiências. Assim, criamos um ambiente favorável, com as parcerias, e com visão de transformar esse projeto em uma nova economia portadora de futuro”, destacou.
Uma experiência exitosa foi apresentada pelo prefeito de Maringá, Silvio Barros, vencedor da categoria Sustentabilidade, a nível nacional, do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora. Barros explicou que cidade de Maringá tem 420 mil habitantes e produz cerca de 400 toneladas de resíduo urbano por dia, que termina em um aterro licenciado, o que afasta a cidade da ideia de economia circular. “O mundo produz uma quantidade de lixo muito grande para que o planeta possa suportar. Por isso devemos pensar como fazer com que o resíduo gerado seja útil”.
O prefeito elaborou o Programa Maringá Lixo Zero que, por meio de um edital, busca empresas que apresentem soluções inovadoras, a partir de um modelo circular, com o reaproveitamento de material, com objetivo de diminuir a quantidade de resíduos que chegam ao aterro sanitário. “Maringá quer resolver o seu problema sim, mas nós queremos ser uma solução, uma vitrine para cidades menores do que a nossa.
A gente pretende é que até o final do ano que vem, cidades, que têm que tão buscando uma solução para a economia circular em relação ao lixo, possam ir lá em Maringá e visitar num dia quatro soluções diferentes que possam se adaptar à sua realidade”.
Em consonância com o prefeito, a engenheira química, Beatriz Luz, explicou os desafios para implementar a economia circular, mas também apresentou iniciativas que ampliam a concepção do tema. “A economia circular cria novos ciclos para manter e agregar valor através do reuso, do conserto e, no finalzinho, da reciclagem, assim ela não gera valor, porque tudo é redesenhado para trazer novo equilíbrio econômico”.
Luz citou alguns exemplos de tecnologias que alcançam a ideia da economia circular, a exemplo, do modelo de copo de café reutilizável, uso da casca da laranja para criação de fibra têxtil, o uso resíduo da concha de sururu utilizado para fazer tijolo, ter uma bicicleta disponível para uso. Dessa forma, ela pensa em modelos de negócios para essa economia que busca transformar resíduo em nova matéria-prima, aumentar da vida útil do produto, compartilhar de produtos, usar um produto como serviço, entre outros. “Para vocês verem que a economia circular, com essa amplitude, tem que ser vista como desenvolvimento territorial, tem que ser vista como uma ação multissetorial, como um plano de estado, como visão de competitividade”, explicou.
Representante do Senai Cimatec, Walter Pinheiro apresentou algumas das ações realizada pela instituição em prol do fortalecimento da economia circular.
Presentes ao evento, catadores de produtos recicláveis refletiram sobre as informações obtidas sobre a economia circular, como o presidente e catador da Associação de Catadores e demais Metais de Material Reciclável do Território do Sisal, Valdenei de Oliveira, da cidade de Ichu, que destacou o que considerou mais importante.

“Em relação ao prefeito de Maringá, considerei interessante a ideia do minhocário porque qualquer município pode aderir e pode ser usado nas escolas, que foi o foco principal mostrado, para ensinar a educação ambiental as crianças mostrar como dar um destino final ao lixo orgânico”, apontou Valdenei.
Já o presidente da Cooperativa VerdeCoop, Nildo Jose da Silva, localizada na cidade de Entre Rios, Litoral Norte, conta que a discussão serviu para refletir sobre as possibilidades de transição de uma economia linear para uma economia circular.

“Pensei no dia a dia do trabalho que fazemos da coleta seletiva dos materiais, do deslocamento até a unidade para triar, prensar e levar até a indústria. Acredito que seja possível buscar novas tecnologias, para não ficar só na captação, mas transformar esses resíduos em novas matérias primas nas nossas unidades. Nós fazemos compostagem convencional. Acredito que podemos investir essas novas tecnologias também na compostagem, porque podemos produzir outros produtos”, concluiu Nildo.

