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Empreendedorismo com propósito fortalece diversidade e inclusão no Extremo Sul da Bahia

Como as histórias de uma artesã com deficiência visual, uma costureira negra e uma criadora de brinquedos inclusivos se conectam ao empreendedorismo na promoção de pertencimento
Por Milka Morais para ML Comunicação
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Uma artesã que encontrou no macramê um novo sentido para a vida mesmo convivendo com a perda progressiva da visão. Uma costureira que transformou a moda em instrumento de valorização da identidade negra. E uma crocheteira que produz bonecos para que crianças se sintam representadas desde a infância. Embora diferentes, essas histórias têm algo em comum: mostram que empreender também pode ser um caminho para promover diversidade, inclusão, equidade e pertencimento.

No Extremo Sul da Bahia, iniciativas apoiadas pelo Sebrae em Porto Seguro demonstram que pequenos negócios podem gerar impacto muito além da economia. Ao incentivar capacitações, conexões, acesso a mercados e fortalecimento de redes de empreendedoras, a instituição amplia oportunidades para diferentes públicos e contribui para a construção de um ambiente de negócios mais diverso, acessível e representativo.

A promoção da diversidade, inclusão, equidade e pertencimento (DIEP) integra essa estratégia nacional do Sebrae para ampliar o acesso ao empreendedorismo e fortalecer negócios liderados por diferentes públicos, reconhecendo que a pluralidade de experiências impulsiona a inovação, a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos territórios.

Anna Aguiar 

É nesse cenário que a trajetória da artesã Anna Aguiar, de Eunápolis, ganha significado. Deficiente visual desde o nascimento, ela convive atualmente com a perda progressiva da visão e precisou adaptar toda a técnica do macramê para continuar produzindo, utilizando fios mais grossos que facilitam o manuseio. O interesse pela arte surgiu durante a pandemia, quando se encantou por um cinto confeccionado com a técnica e decidiu aprender sozinha, por meio de pesquisas e videoaulas. Depois do divórcio, encontrou no artesanato um novo propósito, transformando bolsas, biojoias e outras peças autorais em símbolos de autonomia, autoestima e pertencimento.

Mais do que uma fonte de renda, o macramê passou a representar qualidade de vida. Mesmo precisando interromper a produção em alguns períodos para preservar a visão, Anna continua participando de feiras e eventos porque acredita que permanecer ativa também faz parte do processo de inclusão. “O meu foco não é apenas a fonte de renda, e sim, fonte de vida, de realização, de me sentir ativa de alguma forma”, afirma.

A representatividade também inspira o trabalho da artesã Daiane Moreno, que em seu ateliê produz amigurumis que retratam pessoas com diferentes características e condições, como vitiligo, autismo, amputados ou oncológicos, por exemplo. A coleção nasceu com a criação da boneca Teca, inspirada em uma amiga com vitiligo, e ganhou novos personagens à medida que outras histórias cruzaram seu caminho.

Para Daiane, a inclusão começa no brincar. Ao conviver com brinquedos que representam diferentes características, as crianças aprendem desde cedo a enxergar a diversidade com naturalidade e respeito. Entre as experiências mais marcantes está a produção de um boneco personalizado para Gael, uma criança autista que se reconheceu na peça ao recebê-la. “Naquele momento, entendi que meu trabalho vai muito além de fazer um brinquedo. Ele faz as pessoas se sentirem vistas, representadas e especiais”, disse a empreendedora.

Daianne Moreno 

Já a modista Nonata Lima encontrou no corte e costura uma forma de fortalecer sua identidade e romper barreiras. Apaixonada pela costura desde os 12 anos, precisou superar a falta de incentivo familiar para conquistar a primeira máquina de costura e construir seu próprio negócio. Hoje produz bolsas e nécessaires e faz questão de valorizar a identidade negra por meio de suas criações, defendendo que todas as pessoas devem se sentir livres para expressar sua personalidade.

Segundo a empreendedora, o caminho foi marcado por desafios e preconceitos, mas também por aprendizado e crescimento. Ela destaca que as capacitações, palestras e workshops do Sebrae fortaleceram sua gestão e ampliaram sua rede de relacionamento, aproximando-a de outras mulheres empreendedoras da região, como as participantes da Feira da Amizade, iniciativa que valoriza o trabalho artesanal e o empreendedorismo feminino.

Nonata Lima 

Para a gestora dos projetos DELAS e Diversidade do Sebrae em Teixeira de Freitas, Thamyris Maciel, é motivo de orgulho acompanhar mulheres tão fortes e inspiradoras. “Quando aproximamos artesãs, empreendedoras e diferentes públicos de capacitações, conexões, eventos e novos mercados, mostramos que o empreendedorismo também é uma ferramenta de inclusão, geração de renda e valorização da identidade de cada território. É assim que tornamos o Sebrae cada vez mais acessível e presente na vida de diversos públicos”, explica.

O gerente regional do Sebrae em Teixeira de Freitas, Alex Brito, reforça que a diversidade amplia as oportunidades para quem deseja empreender. “Para o Sebrae, promover diversidade é garantir que cada empreendedor encontre espaço para crescer, independentemente da sua trajetória. Mais do que apoiar negócios, buscamos criar oportunidades para que diferentes talentos sejam vistos, valorizados e fortalecidos. Nosso compromisso é tornar o empreendedorismo cada vez mais acessível, acolhedor e transformador para todos”, acrescenta.

As trajetórias de Anna, Daiane e Nonata representam milhares de empreendedores que fazem da própria história uma ferramenta de transformação e combustível para fortalecer seus negócios. Ao incentivar a diversidade, a inclusão, a equidade e o pertencimento, o Sebrae amplia oportunidades e contribui para que mais pessoas encontrem no empreendedorismo um caminho para crescer, inovar e gerar impacto positivo em suas comunidades.