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Programa do Conselho Britânico forma primeira turma na Bahia

Sebrae Nacional é parceiro da iniciativa que traz metodologia focada em desenvolvimento de empreendimentos de economia criativa e de impacto social
Por Redação
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Primeira turma do DICE na Bahia foi formada no último domingo (8)Quebrar o ciclo da violência em um passado recente fez a hoje hipnóloga e psicoterapeuta Ana Mendes abraçar outras mulheres. Mas ao participar do programa DICE – Developing Inclusive and Creative Economies – ela percebeu que poderia fazer diferente e também trabalhar junto aos agressores, e tentar contribuir para que, de fato, esse ciclo de violência seja vencido.

Ana integrou a primeira turma de 30 participantes do programa na Bahia, que foi encerrada no último domingo (8). Ao longo de seis encontros no Espaço Colabore, em Salvador, ela pode repensar e remodelar sua atuação. “Faço terapias em grupo em qualquer local da cidade. E agora quero estudar como fazer essa remodelagem”, explicou.

O DICE é um programa do Conselho Britânico, que conta com a parceria no Sebrae Nacional. O programa tem como finalidade fomentar o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e promove, no Reino Unido, Egito, Indonésia, Paquistão, África do Sul e Brasil, treinamento de ponta, inovação, fortalecimento de instituições e de agentes multiplicadores, formação de redes e mentores para criação de um ambiente mais propício à economia criativa com impacto social.

O Sebrae Nacional e o Conselho Britânico escolheram a região Nordeste para iniciar o programa no Brasil. A gerente adjunta da Unidade de Atendimento Coletivo do Sebrae Bahia, Nancy Nascimento, explica que um dos fatores para a escolha está no desenvolvimento de projetos voltados para Economia Criativa no Nordeste.

Em setembro de 2019, consultores e gestores ligados ao Projeto Regional Nordeste da Cadeia de Valor da Economia Criativa participaram de um repasse metodológico do DICE, realizado também no Espaço Colabore. A partir daí, foram programados os encontros nos respectivos estados. Os participantes foram selecionados a partir de um edital.

“Nessa primeira turma, conseguimos atender os objetivos do programa, focados em aprendizado, mentoria e fortalecimento da rede. Conseguimos reunir negócios diferenciados, com impacto criativo e social nas comunidades em que estão presentes”, aponta Nancy.

A consultora Márcia Cardim foi que comandou os encontros no Colabore, realizados sempre aos fins de semana. O programa começa abordando o tema “Eu, Negócios e Sociedade”, seguido por termas ligados a gestão, marketing e finanças: “Cliente e Design Thinking”, Viabilidade e Escala”, “Marketing e Tecnologia”, “RH e Compliance” e, no último encontro, “Psicologia”.

Arte e representatividade

Foi também participando do DICE que a empreendedora e produtora cultura Iaciara Nascimento conseguiu estruturar uma ideia que já estava nos seus planos. “Quando casei, eu queria um cerimonial que pudesse fazer referência à minha ancestralidade, e não encontrei. Então, eu mesma produzi a minha festa. Agora, com a maternidade, eu quero levar essa ideia para o universo infantil”.

Durante os encontros, Iaciara conseguiu estruturar o Cerimonial Lápis de Cor, que busca trazer personagens infantis com as quais as crianças negras podem se identificar. “Era um projeto de vida que apresentei e foi acolhido pelo DICE”, conta Iaciara, que já atua no bairro de Fazenda Grande do Retiro com projetos sociais e culturais, voltando principalmente para a juventude negra.

Atuar com esse trabalho focado na infância, explica a empreendedora, é importante, porque “é nessa fase que se constroem a identidade, a personalidade e a autoestima. E ter uma referência positiva de sua identidade vai reverberar no que o indivíduo vai se tornar. Sei que esse é um desejo dos pais também”.

Nascido e criado no Nordeste de Amaralina, Adilson Guedes transforma em arte materiais que seriam descartados. “Eu recolho os materiais antes de eles irem para o lixo”, diz. O material é doado por diversas pessoas que conhecem o trabalho de Adilson. “Há cinco anos eu comecei a fazer ‘trofartes’: troféu e arte. Mas faltava saber como fazer para vender”.

No DICE, Adilson entendeu a importância de se formalizar e também obteve informações valiosas de como montar seus preços e fazer uma boa divulgação de seu trabalho. “Eu estava inquieto com essa situação. Comecei a pesquisar na internet e vi essa seleção para o DICE. Precisava me organizar, pois estava à deriva. Não sabia o valor social da peça, não sabia que ali eu era um empreendedor. Eu antes doava para depois comercializa. Agora, faço o contrário”.

Nancy Nascimento destacou o trabalho proveitoso realizado com a primeira turma formada na Bahia. “Pudemos ver os resultados alcançados e, principalmente, o ânimo dos empreendedores atendidos”, finaliza.

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