A quarta edição do Ecofestival do Café da Serra dos Morgados, realizada entre os dias 24 e 26 de julho em Jaguarari, Centro-Norte da Bahia, encerrou com balanço positivo e público estimado em mais de 10 mil pessoas, vindas de diversos estados brasileiros, como Bahia, Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, além de visitantes internacionais dos Estados Unidos e de Hong Kong.
O festival reafirmou sua vocação como vitrine da cafeicultura artesanal e dos cafés especiais das Serras do Sertão – que englobam os municípios de Jaguarari, Senhor do Bonfim, Campo Formoso, Antônio Gonçalves, Jacobina, Mirangaba e Pindobaçu. O número de produtores participantes saltou de seis para quase vinte, evidenciando a expansão da produção e a qualidade crescente dos grãos. Para o idealizador do evento, professor Juracy Marques, o festival é resultado de uma década de dedicação: “Nosso propósito sempre foi fomentar a produção de cafés especiais na região. Hoje, vemos esse sonho se consolidar em escala regional e nacional”, afirmou Juracy.
Entre os destaques esteve a atuação do Sebrae, parceiro do festival desde a primeira edição e responsável por iniciativas que ampliaram o alcance técnico e comercial do evento. A Rodada de Negócios conectou 12 produtores das Serras do Sertão a sete cafeterias do Vale do São Francisco, resultando em negociações previstas para mais de R$ 50 mil nos próximos 12 meses.
A entidade ainda foi responsável pelo Empório Sebrae – espaço de integração entre cafeicultores, compradores e visitantes -, e capacitações técnicas, com especialistas nacionais em cafeicultura e turismo rural.
Segundo o gerente do Sebrae em Jacobina, Geronilson Pereira, a participação da entidade evoluiu significativamente. “Se antes o foco estava na capacitação, hoje ampliamos para a integração comercial e para o fortalecimento da identidade turística da Serra dos Morgados”, ressaltou.
O festival também reforçou o papel do café como agente de transformação cultural e turística. A palestra Tesouros da Serra dos Morgados, Experiências Autênticas que Transformam Identidade em Destino Turístico, ministrada pela especialista em turismo rural e doutora em agroturismo cafeeiro, Alline Trancoso, destacou o potencial do turismo de experiência associado à cafeicultura. O estudo conduzido pela especialista identificou que, desde 2018, já existe um arranjo produtivo e turístico na região, que agora ganha estruturação mais robusta. Esse ecossistema beneficia setores como hotelaria, gastronomia e artesanato, ampliando oportunidades de negócios e fortalecendo a economia local.
Além das ações voltadas ao café, o Ecofestival contou com shows musicais, apresentações culturais, oficinas gastronômicas e mais de 50 estandes de empresas e produtores locais. A diversidade de atrações reforçou o caráter integrador do evento, que vai além da bebida e se consolida como projeto de desenvolvimento regional.
O Ecofestival da Serra dos Morgados encerra sua quarta edição como um marco de inovação, sustentabilidade e fortalecimento da cafeicultura artesanal. O engajamento dos organizadores, e o protagonismo dos cafeicultores, aliado ao papel estratégico do Sebrae, projeta a região como referência nacional em cafés especiais e turismo sustentável.
