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Há um século uma família transforma cacau em legado no Sudoeste da Bahia

Com apoio do Sebrae, propriedade centenária de Aiquara aposta no chocolate tree to bar e mantém viva uma história construída por quatro gerações
Por Nayla Gusmão para ML Comunicação
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No Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, uma propriedade rural do Sudoeste Baiano mostra que a qualidade de um bom chocolate começa muito antes da fábrica. Ela nasce no cuidado com o solo, no manejo do cacau, na preservação ambiental e no conhecimento que atravessa gerações.

Há cerca de cem anos, a família do engenheiro agrônomo Renildo Peixoto cultiva cacau na Fazenda Pedra Minante, localizada no município de Aiquara. O que antes era uma tradição voltada apenas para a produção das amêndoas ganhou um novo capítulo quando a quarta geração da família decidiu transformar o próprio cacau em chocolate.

Hoje, a marca Arapuá produz chocolates no conceito tree to bar — da árvore até a barra. Todo o cacau utilizado vem da própria fazenda, sem processamento de amêndoas de terceiros. Segundo Renildo, antes de seguir para a fabricação, cada lote passa por análises rigorosas de qualidade, garantindo um padrão elevado para o produto final. “Procuramos realmente fazer um cacau diferenciado, um cacau superior, para fazermos um chocolate realmente de qualidade, que tem uma ótima aceitação na região. Só produz cacau quem é disciplinado”, afirma o engenheiro agrônomo.

A produção é intencionalmente pequena. A prioridade da família é oferecer um chocolate de origem, elaborado sem gordura hidrogenada ou outras gorduras vegetais. “Chocolate não é guloseima. Chocolate é alimento”, defende o produtor.

A história da Arapuá, entretanto, vai muito além do chocolate. O nome da marca faz referência à abelha arapuá, espécie nativa responsável por grande parte da polinização das essências florestais da Mata Atlântica. A palavra, de origem tupi-guarani, significa “mel redondo”. A escolha simboliza a estreita relação entre a produção de cacau no sistema cabruca, cultivado sob a copa das árvores e a preservação da biodiversidade.

Um legado construído em família

A tradição começou ainda na geração da avó de Renildo em 1920. Mas, o passo definitivo veio com as filhas Ana Milena Vieira Peixoto e Adriana Vieira Peixoto, ambas chocolatiers. Enquanto Renildo permanece à frente da produção de cacau na fazenda, elas comandam a fabricação dos chocolates, inaugurando uma nova etapa da história familiar. “As minhas filhas começaram a fazer cursos, passaram por diversas fábricas, aprenderam muito. Hoje temos um fundamento teórico muito sólido para produzir chocolate”.

Ao contar essa trajetória, Renildo faz questão de prestar uma homenagem à esposa, Cecília Vieira Peixoto, falecida no último dia 25 de junho, aos 70 anos. “Ela foi o grande suporte, o grande esteio para consolidar nosso produto. O mérito dentro da fábrica é todo dela. A história da Arapuá passa por ela. Essas três mulheres são fundamentais em nossa empresa”.

Apoio do Sebrae fortaleceu o crescimento

Quando a família decidiu estruturar a própria marca de chocolates, encontrou no Sebrae um parceiro para profissionalizar o negócio. “Procuramos o Sebrae e tivemos um apoio importante no desenvolvimento das embalagens. Minhas filhas fizeram cursos na área comercial e sempre participamos dos eventos apoiados pelo Sebrae, que foi muito importante na composição do nosso produto”. Os chocolates Arapuá atualmente abastecem lojas em Jequié e, eventualmente, atendem pedidos de outros estados. A família trabalha agora na ampliação do portfólio e no desenvolvimento de novas formulações, mantendo como prioridade a qualidade.

Para o gestor do Projeto Cacau e Derivados do Sebrae no Sudoeste da Bahia, Cláudio Machado, agregar valor à produção é uma das estratégias para fortalecer a cadeia produtiva regional. Segundo ele, o projeto atua em quatro frentes: aumento da produtividade por meio da Escola do Cacau; melhoria da qualidade das amêndoas para produção de cacau fino; aperfeiçoamento dos produtores de chocolate; e acesso ao mercado para produtos derivados, como chocolates, nibs e mel de cacau.

“A proposta é preparar o produtor desde a formação da lavoura até a comercialização, aumentando a qualidade, agregando valor e fortalecendo toda a cadeia da cacauicultura. Um cacau fino pode alcançar até o triplo do valor de mercado em relação ao cacau tradicional, gerando mais renda e novas oportunidades para os produtores da região”, concluiu.