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Artesanato Referência da Bahia ganha o mundo durante Jornada Exportadora em Paris

Peças serão apresentadas na França, conectando saberes ancestrais ao mercado internacional de design e decoração
Por Fábio Vasconcelos para ML Comunicação
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O artesanato autoral nordestino vai atravessar o oceano para ocupar um dos principais palcos internacionais do design. Entre os dias 7 e 14 de setembro, peças produzidas por artesãos da Bahia e de Pernambuco serão apresentadas em Paris, durante a Jornada Exportadora de Artesanato e na prestigiada Maison&Objet. Mais do que produtos, elas levam à França histórias, identidade e saberes transmitidos entre gerações.

Para a coordenadora de Economia Criativa do Sebrae Bahia, Tatiana Martins, a Jornada Exportadora amplia as possibilidades para o artesanato de referência produzido no estado. “É uma oportunidade de levar para o mundo o artesanato de referência da Bahia. A parceria entre o artesão e a empresa que faz o trâmite de exportação potencializa esse comércio internacional”, explica.

É justamente nessa conexão que entra a KANZI, responsável pela curadoria e pela articulação das peças para o mercado externo. Para Clara Lira, curadora de artesanato da empresa, participar da programação em Paris representa o reconhecimento da potência da produção baiana. “Sermos a única empresa da Bahia a levar o artesanato baiano, do Recôncavo e do Semiárido, para Paris e para a Maison&Objet mostra que a nossa arte tem um valor gigante e um enorme potencial de ser levada para o mundo inteiro”, enfatiza.

A iniciativa reúne trabalhos do Mestre José Roque, artesão do Baixo Sul da Bahia, e da Cooperafis, cooperativa baiana, além dos artesãos Micaella Alcântara e Ivanildo, de Pernambuco. A participação aproxima o artesanato brasileiro do mercado B2B europeu e mostra que a produção manual nordestina pode ocupar espaços de destaque no cenário internacional.

A chegada ao mercado internacional envolve uma rede de apoio formada por artesãos, empresas, instituições e profissionais especializados na comercialização e exportação. Nesse processo, o Sebrae Bahia atua em parceria com produtores e empresas que fazem a ponte entre o artesanato e compradores internacionais, fortalecendo a profissionalização e criando caminhos para que o trabalho autoral alcance novos mercados.

Para Alane Oliveira, diretora financeira e artesã da Cooperafis, ter as suas peças em Paris significa representar a cultura baiana e celebrar o fruto de uma parceria construída ao longo dos anos. “Acho que é o sonho de toda artesã poder levar o seu trabalho para além das fronteiras do nosso país. É uma grande realização e também uma responsabilidade representar o nosso trabalho, a nossa cultura. Essa caminhada também tem muito da parceria e da proximidade que a Cooperafis tem com o Sebrae, desde o início, há 25 anos”, destaca. Segundo Alane, o apoio esteve presente em diferentes etapas, como formação de preço, organização e estruturação do negócio.

As peças baianas que chegarão a Paris carregam técnicas tradicionais e materiais extraídos da natureza. O Mestre José Roque transforma a piaçava em arte a partir de técnicas de trançado, enquanto as artesãs da Cooperafis trabalham com fibras naturais de sisal e caroá, utilizando técnicas como o trançado e a tecelagem para criar bolsas, chapéus, descansos de mesa, entre outros produtos. O trabalho preserva saberes tradicionais e valoriza o artesanato produzido pelas comunidades baianas.

Mais do que conquistar vitrines internacionais, a proposta é fazer com que cada peça seja reconhecida pelo que carrega. Em Paris, fibras naturais, cerâmica, texturas e formas carregadas de ancestralidade ganharão novos olhares. Ao cruzarem fronteiras, essas peças levarão consigo a história viva das comunidades que as criaram.