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Artesanato Referência Bahia Original une economia circular e criatividade no FICC Bahia 2026

Dez unidades produtivas de artesanato acompanhadas pelo Sebrae apresentaram produtos criativos e com responsabilidade ambiental
Por Rosana Silva para ML Comunicação
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A conexão entre a criatividade e a economia circular pode ser apreciada no espaço ocupado pelo Artesanato Referência Bahia Original, com a presença de 10 unidades produtivas de artesanato, na quinta-feira (15) e segue até esta sexta-feira (16), no Senai Cimatec, em Salvador. A exposição ocorreu dentro da programação do Fórum de Inovação, Cultura e Criatividade da Bahia (FICC), promovido pelo Sebrae Bahia, que ocorre dentro da 12ª edição do Simpósio Internacional de Inovação e Tecnologia (SIINTEC).

Com o tema “Convergências Criativas: Interfaces de Futuro”, o Sebrae buscou, em diálogo com o SIINTEC, propor na programação do evento ações que possibilitassem o encontro entre a economia criativa e a economia circular, a fim de criar uma interface de futuro, como explica o gerente da Unidade de Ambiente de Negócios do Sebrae Bahia, Antônio Carlos Borges. “No dia 15, os painéis tratam da economia criativa e no dia 16 tratam de temas vinculados a sustentabilidade e a economia circular. Assim, no dia 16, temos também soluções, cases de sucesso, uma aula magna com prefeito da cidade de Maringá, vencedor do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora, no eixo Sustentabilidade, a nível nacional”, explicou.

Segundo Borges, a economia criativa também trabalha com inovação, designer, transformação e; por isso, uma caravana de catadores, do interior da Bahia, vinculados a cooperativas, também irão participar da FICC Bahia, com a possibilidade descobrir outras formas de trabalhar o material reciclado. “Além disso, o Sebrae buscará guiar e apresentar para essas cooperativas o Senai Cimatec para entender a relação entre economia circular e economia criativa. Na verdade, é uma grande interface que visa conhecer o presente para prosperar no futuro”, disse o gerente.

Artesanato Referência Bahia Original no FICC Bahia 2026

Os princípios da economia circular podem ser observados na exposição de empreendedores do programa Artesanato Referência Bahia Original, do Sebrae Bahia. Os 10 expositores mostram produtos que levam em conta o reaproveitamento de materiais, como explica a coordenadora de Economia Criativa do Sebrae Bahia, Tatiana Martins.

“Na curadoria, para esse evento, temos artesãos em que o foco é exatamente a economia circular, a exemplo, do reaproveitamento de retalhos de jeans que viram roupas e acessórios; utilização de casca do ovo para criação de mosaicos; ⁠acessórios como colares, pulseiras, oriundos madeiras de demolição; reaproveitamento casca do coco na criação de peças, como máscaras. O artesanato é um agente de transformação, pois existem infinitas formas de desenvolver produtos de forma inovadora, criativa e sustentável”, afirmou a coordenadora.

Especialista em brinquedos afetivos, a proprietária do Às Marias Atelier, Adélia Maria, apresentou produtos que combinam cultura, criatividade e responsabilidade ambiental. No estande brinquedos, peixes, bonecas, todos feitos de pano, exaltam a diversidade humana, a exemplo da boneca com vitiligo. “Nosso principal produto são os brinquedos que mostram representatividade, inclusão, porque nós somos muito diversas. Meu objetivo é fortalecer a autoestima, incluir, educar e mostrar que somos diferentes e está tudo bem”, disse.

Adélia Maria conta que todo o processo de criação leva em conta as formas de descarte correto. “Fiz um estudo para utilizar o meu material da melhor forma. Desde o início da produção, ao escolher com quem comprar até a finalização do produto, porque vou decidir o que fazer com aquele resíduo. Eu tenho peças como o peixinho, que é um chaveiro, produzido com as sobras de retalhos. Assim, tenho um produto de qualidade, porque não interfere, não impacta no meio ambiente, mas ele educa, protege, ensina e inclui diversas pessoas de forma positiva”, explicou.

O artesão Tiago Porto

Já o artesão Tiago Porto, com marca de trabalho homônima, apresentou no estande seus mosaicos feito da casca de ovos, sob superfície de madeira. “Transformei o mosaico com casca de ovo em arte, profissionalizei usando minhas técnicas. Ele tem determinados desenhos, formatos, cores, que inclusive compro as cores primárias e faço tons claros ou escuros, chegando, por exemplo, em oito tons de azul, seis tons de verde, para ter essa variação como essa peça. Eu faço a parte do polimento, do acabamento e aí o desafio é adaptar o desenho ao formato da madeira, resultando em peça única”, destacou.

O material usado para a composição do mosaico é oriundo do descarte, como explica Porto. “Hoje eu faço uma parceria com uma empresa de pudim que fornece as caixas também. Algumas são de consumo próprio de casa, mas a grande maioria, tipo 80% é dessa fábrica. Eu recolho e transformo. Mas tem que fazer higienização desse material. Tem que tirar uma película ali da casca do ovo, secar e armazenar”, explicou.

As artesãs Mila e Miriam Leal

As artesãs Mila Leal e Miriam Leal, da marca Mirinha Leal Criações, também reaproveitam materiais para compor suas obras. No estande, elas expuseram máscaras de orixás de madeiras, origamis, bonecas feitas com casca de coco seco, blocos de anotações, criados com dobraduras papel em formato bidimensionais, entre outros produtos. Miriam conta o processo de criação da peça artística feita com casca de coco.

“Minhas irmãs, Mila e Aldir, constroem a parte da saia da baiana e eu faço a modelagem do corpo, da roupa, o rosto. Essa peça foi lançada em 2014, na época, recolhíamos cascas de coco nas feiras livres para a produção. Com o crescimento da demanda, passamos a comprar o coco e reutilizar a casca”. Já as máscaras de orixás de madeira são produzidas por meio do reaproveitamento das sobras obtidas do descarte de empresas madeireiras.

Tatiana Martins ainda ressalta que participar do FICC Bahia 2026 contribui para fortalecer o artesanato como pilar importante da economia. “O Artesanato Referência Bahia Original está presente desde da primeira edição do FICC Bahia | Fórum de Inovação, Cultura e Criatividade da Bahia. Nosso artesanato, como faz parte desse ecossistema, traz a participação de 10 unidades produtivas expondo e comercializando seus produtos. Além de mostrar todo potencial criativo do setor, essa vitrine é mais uma oportunidade de acesso a mercado que o projeto oferece aos clientes”, acrescentou Tatiana.

O Fórum de Inovação, Cultura e Criatividade da Bahia, promovido pelo Sebrae, apresenta ao público um espaço de diálogo, conexão e construção coletiva entre os ecossistemas de inovação, ciência, tecnologia, cultura e economia criativa.

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