A Bahia sediou em Costa do Sauípe, nos dias 28 e 29/9, o II Encontro do Ecossistema de Educação Empreendedora, que celebrou os 10 anos do Programa Nacional de Educação Empreendedora (PNEE), no qual a Bahia é pioneira no desenvolvimento de competências empreendedoras em estudantes e docentes do Ensino Fundamental ao Superior. A realização do evento ficou a cargo do Sebrae, que reuniu 60 lideranças dos principais parceiros do ecossistema de educação do país. Estiveram presentes autoridades e representantes dos poderes públicos federal e estadual, além de técnicos, especialistas e instituições representativas do setor. Veja a seguir as avaliações de alguns dos participantes do encontro:
Alzira Valéria Monteiro, Fundação Roberto Marinho: “Venho com muita expectativa com relação a uma série de mudanças que a gente está vivendo no contexto da educação. A gente acabou de passar por uma consulta pública em relação a uma das políticas mais importantes que temos País, sobre o Ensino Médio. A política de Ensino Médio está em mudança também. Eu quero muito que a gente tenha elementos pra refletir sobre como podemos contribuir em relação às competências não só empreendedoras, mas também ao que o nosso trabalho coletivo e o das instituições pode apoiar na implementação das políticas de educação com qualidade. Eu estou muito interessada em saber como vamos apoiar a gestão democrática? Como vamos apoiar a perspectiva de territórios nas escolas? Como vamos apoiar a autonomia dos estudantes? Eu venho com esse tipo de expectativas, de fortalecer o que a gente tem construído e seguir adiante olhando o que está em constante mudança. Então, é um desafio pra gente também de se manter em condições de atualização nesse cenário.”
Ewerton Cordeiro Fulini, Instituto Ayrton Senna: “Pra gente é uma oportunidade estar aqui com o Sebrae e com outras organizações. Eu venho falando muito com o time do Sebrae que muito se faz entre as organizações e o Terceiro Setor e, às vezes, se faz sobre o mesmo tema. Nossos recursos são escassos e a gente poderia contribuir e fazer algo em conjunto. Aqui a gente vê como uma oportunidade pro instituto trabalha tanto na parte referência em alfabetização e também em desenvolvimento de competências socioemocionais, que é inclusive uma dos elementos que estamos trazendo para o Programa da Educação Empreendedora. Então, estamos negociando, justamente, para contribuir junto com o Sebrae e obviamente aqui conhecer o que outras organizações estão fazendo pra podermos fazer junto também.”
Janaína Neves, gerente da Unidade de Ambiente e Negócios do Sebrae Bahia: “Esse evento é um marco, porque traz para o Sebrae um posicionamento estratégico dentro do sistema de educação formal. Na Bahia, a gente já tem uma história, há 10 anos a gente realiza essas ações. São 10 anos em que a gente chegou a um número perto de 400 mil estudantes atendidos. A perspectiva é que, uma vez consolidada essa posição do Sebrae, a gente possa aumentar ainda mais essa cobertura de estudantes. A Bahia tem 2 milhões e 900 mil alunos nos ensinos Fundamental, Médio e Superior, público-alvo desse programa. Então, a nossa perspectiva é que nos próximos anos a gente possa alcançar um número ainda maior de estudantes, fazendo com que os conteúdos que despertam e desenvolvem as competências empreendedoras possam chegar cada vez mais longe no interior e cada vez mais junto aos nossos jovens.”
Professor Eduardo Deschamps, Universidade de Blumenau: “Foi um momento muito importante para fazer a conexão de todo esse ecossistema da educação. Nós tivemos aqui várias entidades, desde universidades, institutos, o Terceiro Setor, secretarias de Educação, representação das secretarias estaduais de Educação também. É importante a gente interligar as pessoas, fazer essas conexões, porque é uma ação que exige uma sinergia significativa. Estamos falando de uma ação importante, que é transformar a escola através da Educação Empreendedora, trazer a questão do empreendedorismo. Não apenas naquela lógica ‘vou ensinar alguém a montar um negócio’, mas sim como desenvolver nossos estudantes com uma atitude empreendedora. Eu sou professor de Empreendedorismo na universidade e a primeira coisa que a gente procura fazer é isso, criar as condições para que o estudante, não importa se da Educação Básica ou do nível Superior, possa fazer uma transformação da sociedade a partir da sua transformação pessoal, conseguir desenvolver as competências que realmente vão fazer a diferença no século XXI. Eu acho que isso foi o mais importante desse trabalho que foi feito aqui durante esses dois dias com essa conexão, essa sinergia, pra gente poder criar um bom plano pra dar escala nesse processo de criar um programa de Educação Empreendedora que esteja em cada uma das escolas do País.”
Felipe Morgado, superintendente de Educação Profissional e Superior do SENAI Nacional: “A união das redes, esse grande ecossistema de formação, de educação, faz com que o Brasil consiga se desenvolver. E o SENAI sempre aberto a parcerias, tanto com as redes públicas quanto com as redes privadas e as demais instituições de educação, juntos pra que a gente possa fazer uma formação mais rica com mais qualidade e consiga um maior sucesso no futuro do trabalho da nossa juventude.”
Larissa Purvinni, head de Relações Institucionais na Mauricio de Sousa Produções: “Nós temos muita sinergia com o Sebrae, porque o Maurício é um grande exemplo de empreendedor. Um artista que empreendeu e teve muito sucesso no seu empreendimento. Nunca desistiu dos seus sonhos. Uma grande frase que ele tem é: ‘Nunca desista dos seus sonhos, porque eles não vão desistir de vocês’. Então, é importante o jovem ter um sonho, porque isso motiva ele a continuar na escola e ter uma perspectiva. Junto com o Sebrae nós conseguimos levar nos gibis, nas histórias em quadrinhos, bastante das qualidades, das competências empreendedoras. E, na verdade, elas não servem só para quem vai ser empresário. Servem para gerir a sua própria vida escolar, a sua própria vida profissional, os seus sonhos. Empreender é uma maneira de tornar um sonho concretizado. Eu acredito que essa rede vai ajudar nessa concretização, levar isso pra escola e explicar o conceito de ‘Empreendizagem’, que eu pensei aqui, porque hoje você é empreendedor da sua própria aprendizagem. O professor é o aprendizado contínuo. Eu sou jornalista por formação, por exemplo, e sou também estudante de Licenciatura em Letras na USP (Português e Inglês) e vejo cada vez mais isso, que o professor tem essa necessidade de estar sempre aprendendo, sempre se renovando. A educação de hoje não vai ser a mesma gestada na Revolução Industrial, mas está todo mundo ainda tateando sem saber como é que a gente vai preparar esse professor, vai preparar esse aluno pra esse novo momento: pra que a gente estando junto ao Sebrae tenha o conhecimento sobre o empreendedorismo e a Turma da Mônica, reconhecida por 93% dos brasileiros. O Maurício é considerado um grande alfabetizador informal, ele não é um educador formal, mas ele é visto como facilitador. A linguagem dos quadrinhos consegue traduzir qualquer conceito. Nós também conseguimos traduzir o conceito do empreendedorismo junto com o Sebrae e acreditamos que podemos continuar com essa parceria de sucesso, com mais contato com as escolas, levando essas histórias, pra que esses conceitos sejam mais bem absorvidos, desde a infância até o Ensino Médio. Contem conosco. Foi uma experiência muito rica aqui, estar debatendo, conversando com todos esses grandes especialistas em Educação. Esperamos que isso permaneça, o contato entre as instituições, e que isso avance cada vez mais.”
Nilson Florentino Júnior, diretor de Políticas Públicas Transversais de Juventude da Secretaria Nacional da Juventude (SNJ): “Acredito que foi um evento muito importante, principalmente no processo de consolidação desse ecossistema, dessa rede que agora não só defende a Educação Empreendedora, mas também defende a educação que transforma. Foi uma iniciativa muito importante do Sebrae e que eu, enquanto secretário nacional de juventude, também tenho o meu papel agora se somando nesse processo e dialogando com o nosso público de atuação, que são os jovens de 15 a 29 anos.”
Carlinhos Brown, músico e empreendedor: “Minha história dialoga, sim, também concatenada com os 10 anos desse encontro com o que o Sebrae se propõe a fazer através de suas palestras. Eu sou um empreendedor nato e descobri isso aqui. O que eu busco nas minhas ações? Colaborar sem nenhum mérito, porque afinal o desenvolvimento social é coletivo e ele precisa ter essa força e essa ação fomentada sobretudo por quem tem acesso. A educação faz parte do desejo geral do Brasil em diminuir a violência, a fome e questões que só através do conhecimento se pode resolver. Nós estamos falando de educação e empreendedorismo, mas sobretudo de trabalho. É importante o trabalho como um grande responsável pelo ócio. Nunca pelo ócio criativo, porque a gente vai precisar de espaço para que ele exista. Tanto que o saudoso Domênico Demásio, meu amigo, deixou esse legado dentro dos nossos pensamentos e viu muito a questão da Bahia e do seu comportamento para isso. Mas o que queremos dizer? Que estamos coletivamente juntos. Então, essa não pode ser uma opinião pessoal, porque eu também sou um agente desse desejo. O que acontece com tudo isso, o que acontece com o meu desejo? Eu tenho que acordar todo dia e plantar mais uma sementinha pra que existam novos empreendedores, pra que as pessoas se interessem mais em se educar. Eu venho de uma geração em que os meus pais sorriam muito mais se eu levasse uma vara de pão pra casa do que se eu tivesse nota boa. Isso porque todo mundo tinha um olhar de que sustentar a casa, aquilo sim era o poder de continuar. Sem saber que, por inocência ou por descrença, a formação é que pode verdadeiramente sustentar muito mais ainda os nossos desejos e fazer com que o País tenha progresso e isso consista em uma aproximação social mais coesa. É isso o que nós faremos.”

