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Com atualização da NR-1, micro e pequenas empresas precisam se adequar e ampliar atenção à saúde mental

Norma, que está em vigor desde maio, passou a considerar riscos psicossociais como fator de risco ocupacional em organizações de todos os portes
Por Carlos Baumgarten para ML Comunicação
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A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em vigor há um mês, desde 26 de maio, trouxe uma mudança significativa para a gestão das empresas brasileiras. A partir de agora, os riscos psicossociais passam a integrar oficialmente o gerenciamento de riscos ocupacionais, exigindo que organizações de todos os portes considerem fatores relacionados à saúde mental dos trabalhadores ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes.

Na prática, situações como assédio moral ou sexual, metas abusivas, jornadas excessivas, pressão constante, conflitos interpessoais, sobrecarga de trabalho e falhas de gestão passam a fazer parte do escopo de avaliação das empresas e podem ser objeto de fiscalização pelos órgãos competentes.

Embora muitos empreendedores possam enxergar a nova exigência como um desafio, o gerente da Unidade de Gestão de Pessoas do Sebrae Bahia, Francisco Bastos, reforça que a adequação não exige, necessariamente, grandes investimentos. A recomendação é começar por medidas simples e acessíveis, voltadas para a prevenção e o fortalecimento das relações de trabalho.

“As micro e pequenas empresas não precisam enxergar a NR-1 como algo complexo ou distante da sua realidade. O primeiro passo é promover a conscientização dos gestores sobre a importância dos fatores psicossociais e identificar possíveis situações de risco dentro da rotina da empresa”, orienta.

Para ele, os impactos positivos da adequação à norma tendem a ser ainda mais perceptíveis nos pequenos negócios, onde equipes reduzidas tornam cada profissional peça fundamental para o desempenho da empresa. “Quando o colaborador trabalha em um ambiente saudável, com relações de trabalho equilibradas e maior segurança emocional, a tendência é que haja ganhos de produtividade, engajamento e qualidade nas entregas”, explica Bastos.

Ele ressalta que os benefícios vão além dos resultados operacionais. “Também observamos redução do absenteísmo, diminuição dos afastamentos por questões relacionadas à saúde mental, retenção de talentos e melhoria do clima organizacional. Empresas que valorizam o bem-estar das pessoas fortalecem sua reputação e se tornam mais atrativas para profissionais, clientes e parceiros”.

Entre as ações recomendadas estão a manutenção de canais de diálogo com os colaboradores, a realização de reuniões periódicas de alinhamento, a definição clara de responsabilidades, a melhoria da comunicação interna e a capacitação das lideranças para uma gestão mais próxima e humanizada. “O mais importante é incorporar a prevenção como parte da gestão do negócio, criando um ambiente em que os colaboradores se sintam respeitados, ouvidos e valorizados”, acrescenta.

Evolução

Para Bastos, a atualização representa uma evolução importante na forma como as organizações enxergam a saúde e a segurança no ambiente de trabalho. “A atualização da NR-1 representa uma importante mudança de paradigma porque amplia a visão tradicional da saúde e segurança do trabalho, que antes era muito focada nos riscos físicos, para incluir também os fatores psicossociais. Hoje, questões como estresse excessivo, sobrecarga, assédio e problemas de relacionamento no ambiente profissional podem impactar diretamente a saúde dos colaboradores e os resultados das empresas”, afirma.

Segundo o gerente, além de atender às exigências legais, a nova regulamentação incentiva uma gestão mais estratégica das pessoas. “Vejo essa mudança de forma muito positiva, pois ela estimula as organizações a desenvolverem ambientes de trabalho mais saudáveis, respeitosos e produtivos. As empresas passam a reconhecer que o bem-estar dos colaboradores é um fator essencial para a sustentabilidade do negócio”, destaca.

Ele acredita que a nova norma também pode contribuir para a construção de culturas organizacionais mais sólidas e sustentáveis. Segundo o gerente, ao incorporar a gestão dos riscos psicossociais, as empresas fortalecem valores como respeito, confiança e colaboração.

No longo prazo, Bastos avalia que a mudança pode representar uma vantagem competitiva para os pequenos negócios. “Empresas que desenvolvem uma cultura de cuidado e prevenção tendem a ser mais resilientes, inovadoras e competitivas. Para os pequenos negócios, essa é uma oportunidade de fortalecer relações internas, aumentar o comprometimento das equipes e construir um ambiente que favoreça tanto o crescimento da empresa quanto o desenvolvimento das pessoas”, conclui.